Construção
Chico Buarque Lyrics


Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague

Lyrics © O/B/O APRA AMCOS
Written by: Francisco Buarque De Hollanda

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Mandi Brizola

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão, atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado

Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego

Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo

E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague



Rodrigo Campos

Ele não suicidou nem foi morto, só pq foi feito na época da ditadura todo mundo acha que tudo se trata de uma reflexão da opressão militar, mas não é bem assim.

O texto inteiro apresenta uma crítica à vida vazia de um trabalhador, um "zé ninguém" que ninguém se lembra.

Mesmo assim, ele tropeçou e por isso morreu, contanto, se sentiu livre no momento da sua morte, pois lhe parecia melhor do que sua vida medíocre, e a sua insignificância é evidenciada por ele só ter atrapalhado o tráfego.

Quanto ao "beijou sua mulher como se fosse a última" e "seus filhos como se fossem únicos" demonstra que ali existe uma pessoa como qualquer outra, que ama seus familiares, em contraste com "subiu a construção como se fosse máquina".

Em geral, Chico tentou mostrar como uma vida pode ser ao mesmo tempo tão importante e tão insignificante, e como algumas pessoas podem sim se sentirem mais livres quando se veem à beira da morte, nem mais criticando um único ditador, mas a pressão insuportável de uma sociedade que se sente superior a ponto de subjugar pessoas dessa forma.

Ao menos é o que eu vejo, sem tantas ginásticas mentais pra associar a letra à ditadura da época.



Teccerak

Hey there, I got the translation in english, idk if you can understand that, but is all That's I can do

He loved like if it was the last time
Kissed his wife like if she was the last one
And each of his children like it was the only one
And he crossed the street with his shy walking

Climbed the building like if he was a machine
Rose up on the spot four solid walls
Brick by brick in a magic drawing

His eyes shut down with cement and tears


Sat to take a rest like it was Saturday
Ate rice and beans like if he was a prince
Drank and sobbed like if he was a castaway
Danced and giggled like if he was listening to music

And stumbled in the sky like if he was a drunkard
And floated on air like if he was a bird
And got wasted on the floor like a flaccid package
Agonized in the middle of the public walk
Died in the opposite way disturbing the traffic


That time he loved like if it was the last one
Kissed his wife like she was the only one
And every one of his children like it was his first
And crossed the street with his drunk walking

Climbed the building like if it was solid
Rose up on the spot four magic walls
Brick by brick in a logical design
His eyes shut down with cement and traffic

Sat down to rest like if he was a prince
Ate rice and beans like if it was awesome
Drank and sobbed like if he was a machine
Danced and giggled like if he was the next one

And stumbled in the sky like if he listened to music
And he floated in the air like it was Saturday
And got wasted on the floor like a shy package
Agonize on the middle of the naufragic walk
Died in the opposite way disturbing the folks

That time he loved like if he was a machine
Kissed his wife like if it was logical
Rose up on the spot four flaccid walls
Sat down to rest like if he was a bird
And floated in the air like he was a prince
And got wasted on the floor like a drunk package
Died in the opposite way disturbing the saturday

For this bread to eat, for this ground to sleep on
The right to born and the permission to smile
For let me breathe, for let me be
God bless you

For the free alcohol that we have to swallow
For the smoke and the damnation, that we have to cough
For the sidewalks that we have to fall from
God bless you

For the hired mourner to worship us and spit us
And for the pesky flies to kiss us and cover us
And for the last peace that will redeem us at least
God bless you

and now is the lyrics in portuguese

Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico

Amou daquela vez como se fosse a última

Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho seu como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo bêbado Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contramão atrapalhando o sábado Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir Por me deixar respirar, por me deixar existir Deus lhe pague Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir Pela fumaça e desgraça que a gente tem que tossir Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair Deus lhe pague Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir Deus lhe pague



The Pianist

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado



RODRIGO GORE MEDINA

Recuerdo haberla visto en teatro por televisión cuando era niño; todo un espectáculo.
Desde entonces quedé enamorado de su música.

I remember seeing her on a play-TV when I was a kid; quite a show.

I've been in love with her music ever since.

Lembro-me de a ver na televisão quando eu era criança; um programa e tanto.
Tenho estado apaixonado pela sua música desde então. (Sorry for my Portugués)



All comments from YouTube:

Arthur Chilante

Essa música me faz sentir pena dos que não tem o português como língua nativa.

Radio Creepypastas

@nikki & minaj ta carente querida?, conta pro titio o que que esta acontecendo.

Gabriel Belarmino da Costa

@nikki & minaj sim

Julio Cesar

Obra prima ! Gratidão 🙏

Auguste Dupin

Eu não sou falante nativo de português brasileiro e tenho que admitir que as músicas e a literatura brasileira são as minhas maiores inspirações para continuar a aprender este idioma maravilhoso. Por isso não acho que o senhor deve sentir pena de mim.

squalo

@nikki & minaj kapa kapa, português misógino.

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Eu Mesmo, Riley

Realmente, a construção dessa letra com praticamente todas as palavras que rimam serem proparoxítonas é coisa de gênio viu

Jair Muller

@SVND7 Formato mínimo do Skank também tem essa característica. É um estilo de composição bem difícil. Chico, Mamonas, Skank, três que fizeram isso e sem desmerecimento de nenhum. Agora, Chico Buarque é genial

Lucas

Chico Buarque é parente de Aurélio Buarque, filhos do Sergio Buarque grande sociólogo, inteligência tá no sangue

Ines Leite

Oxe

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