Não Sonho Mais
Chico Buarque Lyrics


Hoje eu sonhei contigo
Tanta desdita, amor
Nem te digo
Tanto castigo
Que eu tava aflita de te contar

Foi um sonho medonho
Desses que às vezes a gente sonha
E baba na fronha
E se urina toda
E quer sufocar

Meu amor
Vi chegando um trem de candango
Formando um bando
Mas que era um bando de orangotango
Pra te pegar

Vinha nego humilhado
Vinha morto-vivo
Vinha flagelado
De tudo que é lado
Vinha um bom motivo
Pra te esfolar

Quanto mais tu corria
Mais tu ficava
Mais atolava
Mais te sujava
Amor, tu fedia
Empestava o are

Tu, que foi tão valente
Chorou pra gente
Pediu piedade
E olha que maldade
Me deu vontade
De gargalhar

Ao pé da ribanceira
Acabou-se a liça
E escarrei-te inteira
A tua carniça
E tinha justiça
Nesse escarrar

Te rasgamo a carcaça
Descemo a ripa
Viramo as tripa
Comemo os ovo
Ai, e aquele povo
Pôs-se a cantar

Foi um sonho medonho
Desses que às vezes a gente sonha
E baba na fronha
E se urina toda
E já não tem paz

Pois eu sonhei contigo
E caí da cama
Ai, amor, não briga
Ai, não me castiga
Ai, diz que me ama
E eu não sonho mais

Lyrics © O/B/O APRA AMCOS
Written by: Francisco Buarque

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J. Van Pelt

Letra:
Hoje eu sonhei contigo,
Tanta desdita! Amor, nem te digo
Tanto castigo que eu tava aflita de te contar.

Foi um sonho medonho
Desses que, às vezes, a gente sonha
E baba na fronha e se urina toda e quer sufocar.

Meu amor, vi chegando
Um trêm de candango
Formando um bando,
Mas que era um bando

De orangotango pra te pegar.

Vinha nego humilhado,
Vinha morto-vivo, vinha flagelado.
De tudo que é lado
Vinha um bom motivo pra te esfolar.

Quanto mais tu corria
Mais tu ficava, mais atolava,
Mais te sujava. Amor, tu fedia,
Empesteava o ar.

Tu que foi tão valente
Chorou pra gente. Pediu piedade
E, olha que maldade,
Me deu vontade de gargalhar.

Ao pé da ribanceira acabou-se a liça
E escarrei-te inteira a tua carniça
E tinha justiça nesse escarrar.

Te "rasgamo" a carcaça
Descendo a ripa. "Viramo" as tripas,
Comendo os "ovo", ai!,
E aquele povo pôs-se a cantar.

Foi um sonho medonho,
Desses que, às vezes,
A gente sonha e baba na fronha
E se urina toda e já não tem paz.

Pois eu sonhei contigo e caí da cama.
Ai, amor, não briga! Ai, não me castiga!
Ai, diz que me ama e eu não sonho mais!



Gutsu

Hoje eu sonhei contigo
Tanta desdita, amor
Nem te digo
Tanto castigo
Que eu tava aflita de te contar
Foi um sonho medonho
Desses que às vezes a gente sonha
E baba na fronha
E se urina toda
E quer sufocar
Meu amor
Vi chegando um trem de candango
Formando um bando
Mas que era um bando de orangotango
Pra te pegar
Vinha nego humilhado
Vinha morto-vivo
Vinha flagelado
De tudo que é lado
Vinha um bom motivo
Pra te esfolar
Quanto mais tu corria
Mais tu ficava
Mais atolava
Mais te sujava
Amor, tu fedia
Empestava o ar
Tu, que foi tão valente
Chorou pra gente
Pediu piedade
Olha que maldade
Me deu vontade
De gargalhar
Ao pé da ribanceira
Acabou-se a liça
E escarrei-te inteira
A tua carniça
E tinha justiça
Nesse escarrar
Te rasgamo a carcaça
Descemo a ripa
Viramo as tripa
Comemo os ovo
Ai, e aquele povo
Pôs-se a cantar
Foi um sonho medonho
Desses que às vezes a gente sonha
E baba na fronha
E se urina toda
E já não tem paz
Pois eu sonhei contigo
E caí da cama
Ai, amor, não briga
Ai, não me castiga
Ai, diz que me ama
E eu não sonho mais



Aues2000

Publicado em 25 de mar de 2013Hoje eu sonhei contigo,
Tanta desdita, amor, nem te digo!
Tanto castigo que eu tava aflita
De te contar!

Foi um sonho medonho,
Desses que, às vezes, a gente sonha
E baba na fronha, e se urina toda
E quer sufocar!

Meu amor, vi chegando
Um trem de candango formando um bando
Mas que era um bando de orangotango
Pra te pegar!

Vinha nego humilhado,
Vinha morto-vivo, vinha flagelado,
De tudo que é lado vinha um bom motivo
Pra te esfolar!

Quanto mais tu corria, mais tu ficava,
Mais atolava, mais te sujava.
Amor, tu fedia!
Empesteava o ar!

Tu que foi tão valente
Chorou pra gente, pediu piedade
E olha que maldade:
Me deu vontade de gargalhar!

Ao pé da ribanceira, acabou-se a liça!
E escarrei-te inteira a tua carniça
E tinha justiça nesse escarrar!

Te 'rasgamo' a carcaça,
'Descemo a ripa, viramo as tripa,
Cumemo os ovo'. Ai!
E aquele povo pôs-se a cantar!

Foi um sonho medonho,
Desses que, às vezes a gente sonha,
E baba na fronha e se urina toda
E já não tem paz!

Pois eu sonhei contigo e caí da cama,
Ai, amor, não briga! Ai, não me castiga!
Ai, diz que me ama e eu não sonho mais!!



Erica®

O discurso desta música composta para o filme República dos assassinos, de Miguel Faria, é heterobiográfico, bem ao feitio de Chico. Neste, quem fala é um travesti, dirigindo-se ao seu amor, um policial. Segundo o próprio Chico, "é uma letra violenta pra burro''. Seguindo a linha escatológica em moda na música popular, ela dá continuidade a essa tendência, iniciada na obra de Chico com "Geni" (por sinal, envolvendo, tambérn, um homossexual).

O travesti relata ao policial, atemorizadamente, o seu sonho: o desejo de vingança traz uma multidão de pessoas - todas com um bom motivo para esfolar o policial - numa caravana, num trem, para o acerto de contas. E de nada adiantava ele correr destes mortos. vivos, flagelados e humilhados: quanto mais ele corria, mais piorava a situação, inclusive se atolando. Ao pé da ribanceira, o "happy-sad end" (o movimento pendular dos finais das estórias de Chico aqui é tão rápido que ocupa os dois extremos: a infelicidade de um é a felicidade de todos). Todo aquele povo, vítima do policial, estabelece a vingança definitiva. Antropofagicamente, matam, "viram as tripas" e comem "os ovo" do carrasco (numa alusão a que, devorando os testículos dele, estariam impedindo que fossem gerados seres tão maléficos e indesejáveis quanto ele). A comemoração é geral, e aquele povo "põe-se a cantar" (essa imagem Chico usa muito: vide "Apesar de você" e "Rosa-dos-ventos", cf. Parte Suplementar deste livro).

E, após contar seu sonho ao seu "amante" policial, o homossexual usa da submissão suprema - promete que, se o policial disser que o ama, não sonhará mais.
O sadomasoquismo, pertinente ao tipo homossexual, transparece abertamente nesta música, onde o escarrar, o rasgar a carcaça precedem a imagens bem indicativas da perversão como "viramo as tripa" e "comemo os ovo".
O final da música tem um arranjo "bem bolado" - o som parecido com o de um trem, como a indicar que o trem no qual viajara a caravana vingadora - após a missão cumprida - estivesse de partida.
Esta música teve uma outra gravação, com Elba Ramalho. Grande número de pessoas acharam que a gravação com a cantora é melhor. Acho ambas de igual valor.

Fonte: Gilberto de Carvalho, Chico Buarque, Análise Poético-musical, Editora CODECRI, 1982



All comments from YouTube:

Denise dos Reis

Essa música do Chico Buarque é uma crítica duríssima a ditadura, especificamente, a Ernesto Geisel, ditador do Brasil na época. Simplesmente, genial!

Cortes da DEEP TUBE

@Adriano Ragazzi quem tirou sua camisa de força?

Regiane Maradona

@Junior Vivêncio Na época da ditadura militar as músicas passavam por um avaliador, sua função era analizar se a música fazia alguma crítica negativa ao regime, então as letras eram escritas como se falando de outra coisa, outra situação mas que descrevia o que estava acontecendo com quem era contra, quem questionava, quem criticava. Os procedimentos do governo ditatorial incluíam perseguição, levar para depoimento, tortura, esses procedimentos podiam se estender a parentes e amigos. Qualquer atividade, mesmo que conversar com uma pessoa vigiada pela ditadura já o colocava no radar. Enfiam, aqueles que eram ativos contra o regime sofriam perseguição. Então preste atenção na letra tendo em mente esse cenário.

Junior Vivêncio

Nao entendi qual o nexo que tem essa letra com a ditadura?

Regiane Maradona

Tão atual

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Antonio Gomes

Chico o maior compositor do Brasil de todos os tempos, simplesmente um gênio

Igah André

Um dos meus compositores favoritos

André Rodrigues Rodrigues

Não tem aquela voz... - apenas razoável - mas é um gênio. Foi inteligente, igual ao Bob Dylan (outro de voz fraca): se desse sua obra pra alguém "de voz melhor" gravar , ninguém conhecia eles, e o cantor ainda "herdaria" a fama.

Alvaro Ceballos

Chico canta con el alma, con el corazón. Chico canta por todos nosotros.

J. Van Pelt

Letra:
Hoje eu sonhei contigo,
Tanta desdita! Amor, nem te digo
Tanto castigo que eu tava aflita de te contar.

Foi um sonho medonho
Desses que, às vezes, a gente sonha
E baba na fronha e se urina toda e quer sufocar.

Meu amor, vi chegando
Um trêm de candango
Formando um bando,
Mas que era um bando

De orangotango pra te pegar.

Vinha nego humilhado,
Vinha morto-vivo, vinha flagelado.
De tudo que é lado
Vinha um bom motivo pra te esfolar.

Quanto mais tu corria
Mais tu ficava, mais atolava,
Mais te sujava. Amor, tu fedia,
Empesteava o ar.

Tu que foi tão valente
Chorou pra gente. Pediu piedade
E, olha que maldade,
Me deu vontade de gargalhar.

Ao pé da ribanceira acabou-se a liça
E escarrei-te inteira a tua carniça
E tinha justiça nesse escarrar.

Te "rasgamo" a carcaça
Descendo a ripa. "Viramo" as tripas,
Comendo os "ovo", ai!,
E aquele povo pôs-se a cantar.

Foi um sonho medonho,
Desses que, às vezes,
A gente sonha e baba na fronha
E se urina toda e já não tem paz.

Pois eu sonhei contigo e caí da cama.
Ai, amor, não briga! Ai, não me castiga!
Ai, diz que me ama e eu não sonho mais!

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