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Pelas Tabelas
Chico Buarque Lyrics


Ando com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se importa com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu achei que era ela puxando o cordão
Oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei que era ela voltando prá mim
Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente
Descendo as favelas
Eu achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça de um homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no Maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Eu jurei que era ela que vinha chegando
Com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se importa... chegando

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Naiara França

Ando com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se toca com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Pensei que era ela puxando o cordão
Oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo panelas
Pensei que era ela voltando prá
Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente descendo as favelas
Achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça do homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Jurei que era ela que vinha chegando
Com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se toca com minha aflição, não
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Pensei que era ela puxando o cordão
Oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo panelas
Pensei que era ela voltando prá
Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente descendo as favelas
Achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça do homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no Maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Jurei que era ela que vinha chegando
Com minha cabeça já numa baixela
Claro que ninguém se toca com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Pensei que era ela puxando um cordão



MPB Sapiens Dalton

Em primeiro lugar, sugiro que você copie o texto abaixo no seu computador, para lê-lo sem pressa, pois não posso garantir que ainda esteja por aqui no futuro próximo ou distante, dependendo da "censura democrática" que andou agindo nesta minha postagem em outros comentários desaparecidos.


A maioria das letras do Chico são comuns a várias épocas. Inicialmente porque, sendo a Palavra Escrita a forma mais antiga da comunicação entre os homens, seus significados servem normalmente para identificar as mesmas coisas em qualquer texto.
Uma das qualidades maiores dos textos dele está na obediência ao significado de cada palavra usada. Por exemplo, o significado original do verbete, Coitado(a), difere um pouco da forma como o usamos popularmente, já que derivou de Coito e não dum sentimento de Dó, Compaixão etc. Se você pesquisar todas as músicas dele, de 1964 a 2000, período em que levei suas letras mais à sério, encontrará tal verbete em poucas músicas. Três se referindo a mulheres cercadas pelo Coito:

Umas e Outras (1969)
...Mas toda santa madrugada
Quando uma já sonhou com Deus
E a outra, triste enamorada
Coitada, já deitou com os seus...

Geni e o Zepelim (1978)
...Mas de fato logo ela
Tão coitada, tão singela
Cativara o forasteiro...

A Rosa (1979)
...E some nas altas da madrugada
Coitada, trabalha de plantonista...

Uma, com o segundo significado popular, se referindo ao homem:

O Malandro 2 (1978)
...O coitado
Foi encontrado
Mais furado
Que Jesus
E do estranho
Abdômen
Desse homem
Jorra pus...

Tem ocasiões em que ele usa a Construção Poética do verso para reforçar, ou contrariar, o significado da interpretação direta do texto colocado:

Roda Viva (1967)
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que (cresceu)

Uma das falhas mais gritantes da Versificação é o chamado Verso Manco, que é aquele que difere dos demais em Métrica ou Ritmo Poético. Os três primeiros versos do fragmento acima apresentam 8 Sílabas Poéticas, com o Ritmo localizado nas sílabas 2-5-8; mas o quarto verso já apresenta nove com Ritmo 2-4-6-9:
ou / FOI / o / MUN / do-en / TÂO / que / cres / CEU - o verso "cresceu" em uma sílaba poética, já que, FOI+o, não consegue ser pronunciado num só tempo rítmico de sílaba poética nem aqui nem na China.

PELAS TABELAS é uma expressão que pode encaixar-se em vários textos sobre Basquete, triangulações de Futebol, ou mesmo em jogo de Bilhar, mas o que temos de mais popular acerca dela é o alongamento: "...caindo pelas tabelas...".

Ando com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se toca com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Pensei que era ELA puxando o corDÃO-
-DÃO oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo panelas
Pensei que era ELA voltando pra MIM-
-MINha cabeça de noite batendo panelas...

A interpretação desse texto sugere a consciência do autor entre a culpa e a justificativa. O enigma maior fica sobre o ELA. Os mais ufanistas já partem para a Liberdade, mas eu prefiro Democracia, já que Chico, sendo inteligente e realista, sabe bem que Liberdade não passa de um sonho, ou mesmo, isca para capturar insensatos. Todavia, repare o que ocorreu com o termo ao longo do fragmento. Surgiu duas vezes em versos que apresentaram recursos poéticos inéditos nas regras de Versificação da Poesia Portuguesa.

Quando o poeta percebe que, se separar o pensamento em versos distintos quebrará a Métrica de um deles, faz com que o final do verso anterior emende com o início do posterior em única Sílaba Poética, que poderá tanto encerrar um como começar outro na contagem das sílabas. O nome desse recurso é Anáclase, cuja regra original se refere à fusão de sílabas Átonas, não de Tônicas, como ocorreu com DÃO-DÃO e MIM-MIN.

Suspeito até que, no princípio de carreira, Chico tivesse a ilusão de estar escrevendo para a maioria de nós entender. Infelizmente, percebeu, ainda nos anos 60, que não escrevia nem para a minoria e, sim, pra si mesmo, devido às múltiplas opiniões de povo e crítica literária sobre sua obra, posto que escreveu isto em 1968. O Velho:

O velho vai-se agora
Vai-se embora
Sem bagagem
Não sabe pra que veio
Foi passeio
Foi passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me é franco
Mostra um verso manco
De um caderno em branco
Que já fechou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Não
Foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar

Todo artista é como um disco com lados A e B. O A é lado nato da arte e o B, nem um pouco artístico, administra o anterior. Como Chico queria apenas cuidar do Lado A do disco poético, o seu lado B caiu na mão de oportunistas que o colocaram numa situação de cúmplice e ele apenas se defendia escrevendo coisas como o fez na mesma Umas e Outras, dos anos 60, citada anteriormente:

Se uma nunca tem sorriso
É pra melhor se reservar
E diz que espera o paraíso
E a hora de desabafar...

Se a outra não tem paraíso
Não dá muita importância, não
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão...

Quanto à interpretação total do texto de Pelas Tabelas, sugiro que você continue procurando na superficial internet. Houve um tempo em que eu sonhava que nem ele fazia nos anos 60, mas, feliz ou infelizmente, uma imensa quantidade de informações sobre a obra do Chico, da construção poética de cada verso à interpretação filosófica do seu texto, foi colocada num site, com o mesmo nome deste, "súbita e inexplicavelmente", desapareceu de todas as plataformas de busca da internet, mas tem também isto aqui, caso você encaixe a foto no texto do verso que está sendo cantado. - https://www.youtube.com/watch?v=ZN6p8...


Grato pela visita e Boa Sorte.
(Dalton)



OKYMAR VIEIRA

- Pelas tabelas

Ando com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se importa com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu achei que era ela puxando o cordão

Oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei que era ela voltando prá mim

Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente
Descendo as favelas
Eu achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça de um homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no maracanã



MPB Sapiens Dalton

Uma das coisas mais valiosas que marcaram o início da carreira do Chico foi a Cultura do Silêncio, Zé Luiz.

Até o final dos anos 50 ele fazia parte de um movimento juvenil paulistano chamado "Ultramontanos", que por derivar dum outro mais antigo de extrema nacionalista chamado T.F.P. (Tradição Família e Propriedade), colocava-o numa posição contrária à dos demais artistas, surgidos na década seguinte e engajados com as causas Socialistas, que viraram moda após março de 1964 com a ditadura militar.

Os primeiros sucessos musicais o fizeram enxergar que havia por detrás daquela série de "engajamentos sociais" uma bem organizada Fábrica de Ídolos Populares pertencente à Mídia Internacional. Tal compreensão do mundo artístico-social que o cercava acabou servindo de mote para a criação da peça Roda-Viva, teoricamente paradoxal, e que assim se mantinha pela mesma Cultura do Silêncio que Chico adotava.

De tanto observar a guerra explícita entre Nacionalismo (militar) X Socialismo (artista); das manobras ocultas da mídia que alimentavam o confronto explícito e manter-se calado, começou a cobrar-se de alguma maneira, mas só conseguiu dar uma aliviada na consciência criando uma peça com o sugestivo nome: Calabar, o Elogio da Traição e, pouco tempo após, o seu primeiro livro oficial: Fazenda Modelo (uma novela pecuária), que tratava basicamente dos meandros do poder no Brasil à partir de 1956, cujo personagem principal, Juvenal, obedecia às ordens dos seus Invisíveis Assessores, todos com nomes iniciados pela letra K, o que nos permite facilmente associar o personagem ao então presidente do Brasil também conhecido como JK.

Mesmo tendo escrito tudo aquilo nos tempos do Silêncio - "Minha Fortaleza é de um Silêncio Infame / Bastando a si mesma, retendo o derrame / A minha represa..." (Calabar) - Chico percebera que, dentre os milhões de brasileiros, talvez poucas dezenas deles haviam entendido o que tentara transmitir.

Suspeito que, na verdade, a aproximação do Chico Juvenil das causas do T.F.P. foram por meras disputas familiares de Adolescente X Pais, já que o seu pai era um forte militante socialista, que nos anos 40 se empenhara na criação de um partido dos trabalhadores socialista, para combater o nacionalista PTB, do então ditador civil Getúlio Vargas.

E foi esse o motivo secundário - o primário fora a incompreensão nossa da obra - pelo qual começou a se desligar do prudente Silêncio anterior e se aproximar dos sindicalistas de São Bernardo (SP), que acabaria resultando no atual Partido dos Trabalhadores, o que acabou recebendo como marco musical a música Linha de Montagem, cujo refrão espelhava com fidelidade a sua insegurança na nova trajetória social a que se propusera:

"Eu não sei bem o que seja
Mas seja o que será
O que será, que será que se veja
Vai passar por lá"

Muitos dos que estudaram a carreira do Chico sabem bem que tal época também ficou marcada pelo começo da separação dele da atriz Marieta Severo, que na realidade era a grande responsável para que ele se mantivesse de boca fechada, mesmo convivendo com a toda aquela mistura de honestos idealistas e empresários oportunistas.

Finalmente, chegamos ao movimento Diretas Já, com Marieta já fora do cenário, onde Chico começou a se atrever nas aparições e gradativamente foi abrindo a boca de cidadão. E viu-se então o tanto que Marieta fora importante na sua formação, pois, rapidamente, deixou de ser aquele humilde compositor musical da peça Roda-Viva e se transformou noutro personagem da mesma peça: Anjo (o grande manipulador da mídia), que o caracteriza até hoje como um antigo bom compositor, transformado num oportunista atual da indústria fonográfica.

Ando com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se toca com minha aflição...

Espero tê-lo deixado menos aflito do que o Chico da música, Zé Luiz. Abraços e volte sempre.



MPB Sapiens Dalton

Como diria o próprio Chico, na versão que fez para o Português da música, Canción Por La Unidad Latinoamericana (Pablo Milanés):

A história é um carro alegre
Cheio de um povo contente
Que atropela indiferente
Todo aquele que a legue
É um trem riscando trilhos
Abrindo novos espaços
Acenando muitos braços
Balançando nossos filhos

Quem transformou a História em Carro Alegre no Brasil foi a imprensa, e a folha de São Paulo foi uma das grandes colaboradoras no processo da "idiotização" popular dirigida que hoje assim se apresenta, numa sociedade brasileira que vai, com "segurança", às urnas para, pouco tempo após, aplaudir um impeachment da sua própria escolha.

Respeito a sua opinião e grato pelo comentário, Daniel Sacco.



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Lucia Ferraro

Quero um Brasil igual Chico,intelectual e o primeiro no mundo !

miranha l0c0

Vai ficar querendo com esse presidente aí

Naiara França

Ando com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se toca com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Pensei que era ela puxando o cordão
Oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo panelas
Pensei que era ela voltando prá
Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente descendo as favelas
Achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça do homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Jurei que era ela que vinha chegando
Com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se toca com minha aflição, não
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Pensei que era ela puxando o cordão
Oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo panelas
Pensei que era ela voltando prá
Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente descendo as favelas
Achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça do homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no Maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Jurei que era ela que vinha chegando
Com minha cabeça já numa baixela
Claro que ninguém se toca com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Pensei que era ela puxando um cordão

angiulillo1968

Chico, eu acho que você é um dos maiores artistas de todos os tempos e aprendi a língua portuguesa para poder entender as suas canções maravilhosas. Parabéns da Itália.

angiulillo1968

@Jamille de Fatima dos Passos Nascimento Costa Chico, o Poeta da alma! ♥️

Jamille de Fatima dos Passos Nascimento Costa

Delícia ouvir essa música num domingo de manhã, Chico é música que toca fundo

FELIPE AMORIM

Chico é o maior letrista do Brasil! Giorno di pace, felicita!

Ademar Araujo

Este samba faz alusão a todos os panelaços que houveram nesta terra de Tiradentes, Zumbi,Frei Caneca,Gerra dos Farrapos,e um infindável povo que tiveram ideologias formadas em termos de liberdade,justiça e igualdade para todos.Parabens Chico!!! 🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷👏👏👏👏👏👏

Roberto Sanchez

Chico é o poeta dos pobres.

2 More Replies...

kiara ligia

Poxa, é um gênio visionário. 32 anos depois ele diz tudo o que tá acontecendo hoje. E diz tudo sutilmente, como sempre.Simplesmente impressionante, era outra época, outra situação, mas cabe inteireinha na m#$% de agora. Sem palavras ou, cem palavras. Só amo esse homem.

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